SENADOR LONGO RECEBE MEDALHA PRUDENTE DE MORAES E FALA SOBRE ECONOMIA CULTURA E ITALIANOS NO EXTERIOR

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No dia 26 de agosto 2016 o Senador da República Italiana Fausto Longo, recebeu a medalha de mérito Prudente de Moraes concedida pelo Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba: uma honraria que reconhece os que prestam relevantes serviços não apenas na cidade de Piracicaba, mas pelo mundo todo!

Nessa breve entrevista, vamos conhecer mais de perto o italo-piracicabano Fausto Longo:

O que o Senador tem feito para estimular o empreendedorismo entre os dois País (Itália-Brasil)?

Nosso esforço tem sido em duas frentes muito específicas, a primeira, aquela que diz respeito à falta de informações e orientação adequada aos possíveis investidores do setor produtivo industrial de ambos os países, Itália e Brasil. Neste contexto, buscamos formalizar uma relação institucional entre as associações representativas das empresas  de contabilidade do Brasil e da Itália, entidades que, inevitavelmente, se caracterizam como as responsáveis finais e que viabilizam um melhor entendimento dos itens legais exigidos para a abertura de empresas, tipos de contratos, tributos, licenças ou autorizações específicas que são exigidas conforme a atividade produtiva ou comercial. Essas entidades foram estimuladas e/ou solicitadas por nós, para que promovam um intercâmbio entre si visando estreitar sua comunicação e ampliar as possibilidades de prestação de serviços neste campo relativo à internacionalização de empresas. Tivemos, por uma iniciativa de nosso mandato, e organizado pelo DEREX, Departamento de Relações Exteriores da FIESP, Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, um primeiro encontro realizado em Milão durante a realização da Feira Mundial e, como resultado desse encontro que contou inclusive com a presença do Presidente da FIESP, Paulo Skaf, o SESCON-SP criou o Desk-Internacional para atender a esse tipo de demanda. A segunda frente se refere à promoção de intercâmbio entre regiões e setores industriais visando a implantação de joint-ventures e/ou Clusters vocacionados. Dois projetos específicos já estão em estudo e com protocolos de intenções trocados, um deles envolvendo a Prefeitura de Campinas, a UNICAMP, o Governo da Região Umbria e a Confindustria Umbria visa a implantação de um Cluster Biomédico e o Hospital do Câncer em área destinada pela própria UNICAMP, apoio logístico da Secretaria da Saúde de Campinas e financiamento através de empresas italianas vinculadas ao setor industrial médico hospitalar da Umbria, este projeto conta, também, com o apoio da COMSAÚDE/BIOBRASIL da FIESP coordenado pelo empresário Ruy Baumer. Outro projeto visa estimular o intercambio entre os setores produtivo e acadêmico e está relacionado à produção de uva, vinho e derivados, bem como insumos e componentes industriais ligados à esse segmento produtivo. Esse projeto já conta com algumas prefeituras interessadas em estimular a produção viti-vinícola e também algumas empresas que já atuam nesse mercado. Da parte italiana, já com intenção confirmada, a prefeitura de Montepulciano (Toscana) bem como um grupo empresarial da Emília Romagna. Para esse trabalho temos contado com o apoio da Secretaria da Agricultura de São Paulo e com o SPVINHO. 

O que você acha que seria prioritário fazer para criar oportunidades para valorizar as relações económicas e culturais entre Brasil e Itália?

Entre as iniciativas que visem facilitar o aproveitamento de oportunidades para ambos os países, destacaria dois itens: o primeiro se refere à necessidade de um melhor conhecimento do potencial econômico que pode representar para a Itália o fato de somarmos 30 milhões de ítalo-descendentes no Brasil, um contingente importante de possíveis consumidores de produtos, marcas e qualidades características do "made in Italy". Jamais a Itália se preocupou em realizar uma pesquisa estatística séria para saber qual o perfil do ítalo-descendente que vive no Brasil.  Segundo, creio que seja necessário a adoção por parte do governo italiano de políticas públicas estratégicas para a promoção e difusão da língua italiana com o objetivo de penetração comercial via cultura. Aliás, a difusão da língua como instrumento mercadológico tem sido uma pratica comum a muitos países. Também destacaria como um item importante, identificar aqueles setores onde as expertises são complementares, por exemplo, no segmento agro-alimentar, Brasil e Itália poderiam se caracterizar como grandes parceiros para a conquista de mercados asiáticos com grande vantagem competitivamente se usadas com a devida estratégia as competências tecnológicas da Itália com a capacidade produtiva do Brasil. 

Qual é o seu principal desafio no Senado Italiano?

Nosso principal desafio tem sido aquele de demonstrar que a Itália deve se considerar uma "nação global" e não especificamente territorial, afinal, poucos países possuem cerca de 140 milhões de almas espalhadas pelo planeta. Deve superar essa dificuldade em absorver definitivamente os ítalo-descendentes como cidadãos italianos. Também temos dedicado muito trabalho para aperfeiçoar o processo de reconhecimento da cidadania italiana. 

Na sua opinião, qual é o maior obstáculo que encontra no seu trabalho dia a dia?

Creio que o maior obstáculo seja a ausência de um profundo conhecimento do parlamento e também do governo italiano quanto à grande massa de italianos, cidadãos ou não, que vivem em uma situação econômica excelente mas fora da Itália e que poderiam significar um grande recurso para a consolidação econômica do próprio país. Os eleitos no exterior encontram um ambiente de trabalho extremamente acolhedor, porém, do ponto de vista  dos avanços que se pretende na relação do país com seus cidadãos no exterior, realmente existem bastante dificuldades, vide, por exemplo, a questão da ausência de uma política eficiente de reestruturação da rede consular para um melhor atendimento e prestação de serviços para toda a comunidade, tema de nossa luta diária, não somente nossa, mas de todos os eleitos no exterior. Claro que também devemos citar a dificuldade, sempre presente, da distância e do tempo que os eleitos no exterior possuem para exercer seus mandatos, difícil compatibilizar a necessária presença junto à comunidade e, ao mesmo tempo, cumprir as exigências da presença constante em sessões.

Você sempre tem muita determinação, poderia nos falar um pouco sobre seu percurso politico e a sua a experiência na Itália?

Praticamente em toda nossa vida adolescente e adulta, estivemos próximos à política, desde nossa atividade em Piracicaba, até hoje aqui no Senado em Roma. Passamos por diversos cargos na área governamental municipal, estadual e federal, também participamos na formulação de políticas no âmbito de entidades e instituições representativas. Nossa experiência no parlamento italiano tem sido extremamente interessante, principalmente por nos permitir conhecer e nos aprofundar no entendimento da política presente nos diversos países da América do Sul e suas relações com a comunidade ítalo-descendente local, compreender o funcionamento da política italiana e sua relação com a União Europeia, participar da formulação de leis que visem a promoção do desenvolvimento e da justiça social, também a oportunidade de comparar e entender os diversos sistemas políticos existentes entre presidencialismo e parlamentarismo. Uma das  experiências mais gratificantes tem sido participar ativamente do processo de discussão das reformas constitucionais que deverão dar um novo formato à vida política da Italia e que serão motivo do referendo a ser votado ainda esse ano.

 

Aos cuidados da Assessoria de imprensa do Senador Fausto Longo